segunda-feira, 15 de junho de 2015

IDENTIFICAÇÃO DO ACERVO


"No clichê, entre outros soldados da lei, estão os componentes da guarnição do trem blindado, que, no setor de Eleutério, agiu a 5 do corrente, com pleno sucesso. Vêem-se: 1) tenente Faria; 2) Claudio Medeiros; 3) André Patusca; 4) cabo João Cananéa; 5) Hélio Boitencourt; 6) sargento Theotônio Lara; 7) Vermelhinho; 8) Bueno. | FONTE: DIÁRIO NACIONAL - SÁBADO, 13 DE AGOSTO DE 1932

FOTÓGRAFO: Desconhecido


quarta-feira, 10 de junho de 2015

{EXPOSIÇÃO INÉDITA} 1932 | A COR DA GUERRA



A fotografia contém em si realidades e ficções e, de modo algum, é um testemunho fiel da realidade da qual origina – a primeira realidade. Ela constitui uma segunda realidade, criada pelo fotógrafo – contratado ou não por terceiros -, em um tempo e espaço precisos. Valendo-se de uma tecnologia determinada e privilegiando um assunto selecionado do real. Portanto, o fotógrafo é um “filtro cultural” que se interpõe entre a primeira realidade, a do período histórico, e a segunda realidade, a do documento fotográfico. 
Boris Kossoy

  
            A “Revolução Constitucionalista de 1932”, como tradicionalmente é conhecida em todo o Estado de São Paulo, é muito pouco estudada nas escolas de todo o Brasil, para não dizer, um fato atualmente “muito pouco relevante” para o ensino de História nos outros Estados da Nação. Já em São Paulo, a questão da memória é muito forte, pois ainda há ex-combatentes vivos entre nós, há centenas de sobreviventes desta guerra civil. Portanto, há em nossa memória inconsciente, certa ligação moral para com este acontecimento.
            Durante a guerra, que se iniciou na madrugada do dia 9 de Julho de 1932 e teve sua carta de rendição assinada a 2 de Outubro do mesmo ano, na cidade paulista de Cruzeiro, o uso massivo da propaganda foi fundamental para ambos os lados da luta. Além da manipulação dos jornais de todo o país, numa guerra de palavras paralela ao conflito bélico, temos também o uso do rádio, não apenas transmitindo boletins diários sobre os últimos acontecimentos nas linhas de frente, como também tocando músicas e marchinhas referentes ao conflito, transmitindo discursos e palestras de intelectuais paulistas pró-voluntariado, e, já no final da guerra, sob total manipulação dos órgãos militares, enviando notícias falsas sobre a situação nas diversas linhas de frente, em uma tentativa quase que desesperadora de aumentar a moral dos soldados. Já pelo lado Federal, o uso de tais meios de comunicação também foi expressivo e manipulado, principalmente para espalhar a ideia de que a revolta paulista era uma tentativa de separação do Brasil.
            Durante toda a “campanha revolucionária”, centenas de fotógrafos profissionais, usaram seus estúdios, principalmente nas cidades próximas das fronteiras, onde os combates mais importantes aconteceram, para fotografar os voluntários que seguiam para a linha de frente. Era costume a revelação da foto em tamanho “cartão postal”, onde imediatamente, o voluntário a enviada para a família através do Correio Militar MMDC (órgão extremamente eficiente responsável por todas as correspondências paulistas durante a guerra). Muitos destes soldados e dos próprios fotógrafos montaram, durante o conflito, diversos álbuns fotográficos com centenas de imagens referentes aos bastidores da guerra.
            Nesta exposição, organizada pelo curador Eric Apolinário, presidente-fundador do Núcleo MMDC de ItapiraCel. Francisco Vieira”, a ideia foi trazer ao público, de uma maneira totalmente artística, uma nova perspectiva sobre os acontecimentos daquele inverno de 1932 na cidade de Itapira. Foi então que Apolinário entrou em contato o amigo fotógrafo e designer gráfico Paulo Bellini, explicando seu projeto. Bellini topou no ato e a exposição1932 |A Cor da Guerralogo tomou forma. São ao todo, 25 fotografias selecionadas diretamente dos arquivos do Núcleo MMDC de ItapiraCel. Francisco Vieira”, todas sob intervenção artística de Paulo Bellini.
            A proposta desta exposição não é substituir uma fotografia originalmente em preto e branco por uma colorida, descontextualizando assim sua importância enquanto documento, mas sim reconstituir de maneira artística aquela realidade e trazer para o presente, mostrando assim uma nova possibilidade de interpretação aos olhos das novas gerações que estão conhecendo a história de 32. Esta é mais uma parceria entre Núcleo MMDC de ItapiraCel. Francisco Vieirae Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

SERVIÇO:
EXPOSIÇÃO: 1932 | A Cor Da Guerra
DATA: de 9 a 31 de Julho de 2015.
ENTRADA FRANCA
LOCAL: Museu Municipal Histórico e Pedagógico Comendador Virgolino de Oliveira, Parque Juca Mulato, Itapira-SP.
HORÁRIO: das 8h às 11h15 | das 13h às 17h15 – Aos Domingos: das 8h30 às 11h30. Agendamento de grupos e escolas: (19) 3863-0835 ou pelo e-mail: eric.apolinario@yahoo.com.br

segunda-feira, 8 de junho de 2015

9 DE JULHO DE 1972 - ÀLBUM FOTOGRÁFICO

     Na manhã do dia 9 de Julho de 1972, Itapira comemorava os 40 anos da "Revolução Constitucionalista de 1932". A programação se iniciou às 8h30, no Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Cemitério da Saudade, presidida pelo cônego Matheus Ruiz Domingues e presença de dezenas de pessoas, especialmente, do então prefeito, Hélio Pegorari; o presidente da Câmara, Antônio Celidônio Ruette; Sezefredo Fecci, representando a Associação Comercial; sargento João Batista Lima, Comandante do Destacamento Policial de Itapira e convidados de Mogi Mirim: Antônio Mazelli e 1º tenente Alcides Pinto da Silva.








     Às 10h, no Monumento do Morro do Gravi, Antônio Celidôneo Ruete, presidente da Câmara Municipal de Itapira, discursou sobre o significado da data. O vereador Edésio Ramos de Oliveira foi o próximo a discursar, falando sobre o tribuno da Revolução, Ibrahim Nobre, que seria homenageado com uma estátua na capital paulista neste mesmo ano.
     O prefeito Hélio Pegorari, juntamente com as autoridades presentes, recolheram alguns punhados de terra do Morro do Gravi, que foram enviadas à base da estátua de Ibrahim Nobre.
Convidado pelo prefeito, o Major Antônio Mazelli coloca um ramalhete de flores diante ao monumento do Gravi.
     Esteve presente uma delegação do Departamento da Sociedade Veteranos de 32 - MMDC de Jacareí, tendo Alfredo Blois como chefe da caravana. Blois leu a seguinte mensagem: 
"... Em 1932, o 2º e o 3º batalhões do 6º RI de Caçapava foram destacados para Piquete a fim de tomar parte nos combates travados naquele setor. Após alguns dias de luta, nossa gente conseguiu vencer os inimigos e tudo ficou calmo naquele local. Sob o comando do capitão Marcos Antônio, já falecido, o 2º batalhão veio lá da Mantiqueira para Mogi Mirim, a fim de tomar parte nos combates do Gravi. Também tomaram parte nos combates do Gravi o batalhão "9 de Julho", sob o comando do Major Robilot, mais uma companhia da Força Pública e dois batalhões de voluntários... Depois de muitos anos, eu e o meu colega de escola e caserna, Arnaldo Piovessan, tivemos a ideia de visitar todos os anos as cidades de Mogi Mirim e Itapira e o Morro do Gravi, com a finalidade de relembrar e comemorar os acontecimentos da Revolução Constitucionalista de 1932. O Morro do Gravi ficou na história por ter sido o palco de uma das mais sangrentas batalhas entre constitucionalistas e ditatoriais, onde muitos companheiros derramaram seu sangue no cumprimento do dever... Nesta caravana do Departamento da Sociedade Veteranos de 32 - MMDC de Jacareí, estão presentes quatro ex-combatentes que lutaram aqui no Gravi: Arnaldo Piovesam, Inocencio de Souza, Irineu Priante e eu, Alfredo Blois..."
     E finalizou a mensagem: "... As tropas ditatoriais desfecharam a grande ofensiva neste setor, cujo objetivo era a tomada de Mogi Mirim. Apoiados pela aviação e protegidos por intenso fogo de artilharia, os ditatoriais conseguiram apoderar-se do Gravi, apesar da ferrenha vontade dos soldados paulistas em manter a posição. E o sangue generoso dos paulistas mais uma vez regou o solo bandeirante. Fomos derrotados. Perdemos a batalha. Mas ganhamos a Causa pela qual lutamos...".
     O "toque do silêncio" dado pelo jovem Reinaldo Pierossi, encerrou as comemorações dos 40 Anos da Revolução Constitucionalista em Itapira, na manhã de 9 de Julho de 1972.












     A caravana de Jacareí seguiu até Mogi Mirim, onde, após coquetel na Câmara Municipal, falaram sobre a data do 9 de Julho as seguintes autoridades: Antônio Carlos C. Bernardes, presidente da 
Edilidade; Major Antonio Mazelli; Alcindo Barbosa, alto funcionário da Prefeitura, Alfredo Blois, chefe da caravana de Jacareí, e o prefeito itapirense, Hélio Pegorari. Após as solenidades em Mogi Mirim, todos novamente voltaram a Itapira, onde, através da Rádio Clube, falaram a respeito da Revolução o prefeito, os vereadores de Mogi Mirim, Ademar de Barros, Roberto Costa e Silva e Raul Brunialti e o veterano Alfredo Blois.

FONTES: Cidade de Itapira, Folha de Itapira e A Comarca
ESTAS FOTOGRAFIAS COMPÕE O ACERVO DO NÚCLEO MMDC DE ITAPIRA "Cel Francisco Vieira".