sexta-feira, 2 de agosto de 2013

SERGIPANOS DO FRONT PAULISTA DE 1932

Continuando os trabalhos, o Núcleo M.M.D.C. de Itapira "Cel. Francisco Vieira" mantém contato com diversos pesquisadores por todo o Brasil. Hoje, trazemos com exclusividade um artigo escrito  pelo Historiador Adailton Andrade, em parceria com Eric Apolinário, sobre a participação dos soldados sergipanos na luta contra os paulistas no setor de Itapira. Através de conversas e pesquisas entre os dois, foi possível obter importantes informações sobre o 28º Batalhão de Caçadores e outras tropas do estado de Sergipe. Além de informações e contatos com familiares de ex-combatentes sergipanos, fotografias e textos referentes a esses batalhões. Em breve, postaremos mais informações conseguidas através desta parceria.
O artigo foi publicado no último mês de Julho, próximo à data comemorativa de "9 de Julho" nos jornais "Cinform", "O Povão" e "Gazeta New", todos da cidade de Aracajú, capital de Sergipe. Vale lembrar que este artigo ainda está em construção, o texto que se segue, foi o publicado nos jornais acima.
 
Quem é Adailton Andrade: Licenciado em História, pós-graduado em Ensino Superior em História, pós-graduado em Sergipe Sociedade e Cultura, Membro do IHGSE (Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe). Associado a ANPUH/SE (Associação Nacional de História) . Membro na qualidade de pesquisador dos Grupos de Estudo e Pesquisa da UFS: Grupo de Estudos e Pesquisas em Memória e Patrimônio Sergipano. (GEMPS/UFS/CNPq) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Culturas, Identidades e Religiosidades (GPCIR/UFS/CNPq) Professor da rede particular e Pública de ensino.










SERGIPANOS DO "FRONT" PAULISTA DE 1932
Revolução Constitucionalista de 1932

Adailton Andrade/Eric Apolinário


Um dizia: “Sergipe”; o outro respondia: “37”. Na Rua Sergipe, número 37, bairro de Higienópolis, ficava a casa em que os conspiradores montaram seu quartel-general, naquele nervoso sábado, dia 9 de julho de 1932. O endereço foi transformado em senha e contrassenha para as comunicações entre eles. Mensageiros entravam e saíam do local. A ordem era assegurar o controle das forças militares e policiais em São Paulo, bem como dos Correios, da telefônica e de outros serviços. São Paulo, por suas principais lideranças políticas, aliadas a militares dissidentes, declarava-se em insurreição armada contra o regime de Getúlio Vargas, instalado um ano e nove meses antes. Tinha início o episódio conhecido como “Revolução Constitucionalista”.
A gota d'água foi o assassinato de quatro estudantes paulistas por partidários de Getúlio. O episódio entrou para história como M.M.D.C., as iniciais dos nomes dos jovens mortos: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. A data do crime, 23 de maio de 1932, marcou o início de uma série de protestos. No dia 9 de julho, as manifestações incorporaram uma nova causa: a redemocratização através da elaboração de uma nova Constituição. Iniciava-se a Revolução Constitucionalista de 1932,
Na Revolução Constitucionalista de 1932 – No comando do Tenente Coronel Theodoreto Camargo Nascimento, a Polícia Militar de Sergipe participou  do conflito enviando para o teatro de operações em São Paulo 592 policiais militares, entre oficiais e praças. Nos combates foram mortos, entre outros, os Sargentos José Alves Feitosa e Pedro José dos Santos, ambos promovidos “post-mortem” ao posto de 2º Tenente.

Navio que levou as tropas sergipanas para o Rio de Janeiro

Nos dias que se seguiram, a grande maioria dos Estados da Federação, enviaram batalhões da Força Pública, Exército e alguns Batalhões Provisórios (constituídos totalmente por voluntários), como Sergipe, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão e Pernambuco.   
No dia 13 de julho de 1932 , aniversario da revolta tenentista sergipana que levou no nome desta data, partira para o fronte em São Paulo seguindo a bordo  do navio “Itapura,” o 28º Batalhão de Caçadores  comandado pelo tenente-coronel  Chaves, e tendo como sub comandante  o major Alfredo Bamberg, levando mais os seguintes  oficiais, tenente  Humberto Barroso,  Dr. Eronildes de Carvalho , medico , Reginaldo  Meireles , Manuel Antônio da Silva, Constituindo esses o Estado Maior  da unidade.
Assim segue de Aracaju duas companhias, a primeira comandada pelo Capitão João Soarino  de Melo, e a segunda  pelo tenente  João Tavares que depois da revolução foi promovido a general e  na reserva  trabalha como engenheiro. Também nesse período foi mais uma outra companhia de metralhadora comandada   pelo capitão Jeronimo  Leite Bandeira de Melo, com estes,  seguiram outros oficiais  a pedido do interventor Augusto Maynard Gomes. São eles os tenentes  Milton Azevedo, Odilon  Siqueira , Fausto Marsilac, Rivaldo Brito, Faustino  Ferreira  Lima, Gervásio Dantas, Manuel José das Chagas, Francisco Mesquita da Silva, Waldemar  Cabral de Vasconcelos e Agenor Santana.
 
Tropas sergipanas embarcadas para combater contra São Paulo

Outro contingente partiu dia 20 de julho com a movimentação da “Força Publica de Sergipe”, a atual policia militar que seguiu para as trincheiras de guerra. Esse contingente que foi comandado pelo tenente coronel Teodoreto Nascimento assim constituindo o estado maior com seus oficiais capitão Benjamim Alves de Carvalho, tenente Edilberto Menezes, tenente Agnaldo Celestino e o tenente José Vieira de Matos. Também segue em duas companhias a força publica sergipana. A primeira comandada pelo capital Ulisses Andrade e a segunda pelo capitão Joao José dos Anjos. Outros foram voluntários como os oficiais Stanley da Silveira, Oscar Pinto, Alcebides Benevenuto, Hermeto Feitosa, Afonso Mota e Alderico Sabino.
Toda essa movimentação teve um contingente de 620 homens, sendo 283 do 28º Batalhão de Caçadores, 337 da Força Publica de Sergipe (policia militar).
Nesse período o próprio interventor Augusto Maynard Gomes comandou toda a logística bélica sendo assim solidário ao Presidente Vargas procurando reforçar mais ainda a representação de Sergipe no "front" paulista mandando no dia 27 de julho mais uma leva de voluntários civis a cidade de Itapira, desembarcando antes no Rio de Janeiro e logo em seguida a cidade paulista.
Nesse período toda preocupação e ocupação do interventor Augusto Maynard era recrutar  e adestrar mais voluntários para o envio ao sudeste do país. Nesse mesmo tempo chegava a capital sergipana noticias dos combates e anunciando a morte do sargento José Alves Feitosa. Jornais noticiavam  outros sergipanos feridos em zona de guerra.
Itapira foi conquistada após varias horas de combate presumivelmente da policia paraibana e da força púbica de Sergipe, como também do regimento de gaúcho provisórios.
Com os reforços vindo da Bahia, Sergipe e Paraíba as tropas paulistas estavam  totalmente desorientadas. Encontraram-se no local conhecido como “Morro do Gravi”, já na divisa entre as cidades de Itapira e Mogi Mirim. Lá, entre os dias 2 e 4 de Setembro, cerca de 10 mil homens, que formaram o exército federal, avançaram terrivelmente sobre os cansados e abatidos soldados paulistas. Em um combate que durou cerca de 48 horas, centenas foram mortos, em ambos os lados. Após a resistência fracassada, o exército paulista concentrou-se nas proximidades de Campinas-SP, deixando Mogi Mirim nas mãos do Exército federal.
Nesse momento é pedido mais ajuda ao interventor de Sergipe para mandar mais  homens aos combates. E em resposta o interventor informa em telegrama que “tenho a satisfação de comunicar ao estimado ministro que a bordo do navio Paquetá Itabera acaba de embarcar com destino ao Rio de Janeiro e depois São Paulo novo contingente sergipano para reforçar as fileiras do exercito composto de 140 bravos voluntários a serviço da pátria”.
Ao fim dos combates as tropas sergipanas aos poucos estão retornando ao estado  trazendo  um certo orgulho  por  lutaram  pela legalidade e a ordem do país. 
 
Voluntários e soldados sergipanos

No dia 27 de outubro, com a chegada do navio “Itassuncé, desembarcavam as tropas sergipanas que retornavam do front recebidas pela população aracajuana que com grande entusiasmo saudava seus bravos soldados. No dia 31 de novembro chegava mais um navio de nome Itapura trazendo os soldados do 28º Batalhão de Caçadores que combateram na cidade de Itapira- SP. Os militares receberam dos sergipanos saudações de boas vindas e ao mesmo tempo os que tombaram em combate foram  homenageados:   capitão Jerônimo leite  Bandeira   de Melo e o sargento  Duque Teles.
 
Oficiais sergipanos e Augusto Maynard ao centro

Sergipe mais uma vez se faz presente nos grandes acontecimentos que marcaram a história do Brasil. O general Daltro Filho, comandante de um dos destacamentos de Vargas, telegrafava elogiando as tropas sergipanas, informando da bravura e desempenho dos soldados de Sergipe.

 

4 comentários:

  1. Excelente trabalho, parabenizo os autores!

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  2. Adailton,Eu gostei tudo uma Historia de Meu bisavo Augusto Maynard que Parabens sua vida lutar seu trabalho forca toda a historia Boa Sorte!!! bjs e abraço Liana Maynard

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  3. O tenente Agnaldo Celestino era um bravo sergipano nascido em Propriá, era tio de Maria da Glória Celestino minha mãe, curiosidade quando lampião e sua tropa passavam nos arredores de Propriá deixavam mensagens para intimidá-lo porém nunca o esperou para enfrentá-lo. Quero dar parabéns ao ilustre historiador. Antônio Júnior (79) 9895-5882

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