segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A ÚLTIMA TESTEMUNHA DO GRAVI

"... Ser historiador é nunca se resignar. É tentar tudo, experimentar tudo para preencher as lacunas da informação. É explorarmos todo o nosso engenho, eis a verdadeira expressão ..."
(|Lucien Febvre|)

Poucos pesquisadores tem o privilégio de poder consultar pessoalmente fontes primárias. No nosso caso, este acontecimento foi muito além disso, foi a realização de um sonho. Um sonho, até então, julgado impossível. Em todos estes anos de pesquisa sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, sobre as batalhas do Setor Leste, que abrange dezenas de cidades, incluindo S. J. do Rio Pardo, Itapira, Mogi Mirim, Amparo, Pedreira, Campinas. Mais precisamente, as batalhas de Eleutério e Gravi. Sempre sonhei em poder, um dia, falar com um ex-combatente, alguém que realmente tenha presenciado, tenha estado lá. O destino, que as vezes brinca conosco, nos surpreende, nos assusta e encanta, ousou desta vez! Fez com que um filho, à procura de informações sobre seu velho pai, entrasse em contato com o Núcleo. Por meses, mantivemos contato, e finalmente, conseguimos agendar uma visita a um herói de guerra, um herói paulista!
 
Seu nome: José Mango. Sua idade: 100 anos e 1 mês! Sua história: foi um dos cerca de 15 sobreviventes de seu batalhão com mais de 100 soldados, à uma das mais sangrentas e terríveis batalhas de toda a Revolução Constitucionalista de 1932, a batalha do Morro do Gravi.
 
Nosso sentimento quanto pesquisadores e entusiastas de 32, é não apenas de dever cumprido, mas de extrema honra de poder conhecer um veterano, que, aos 100 anos de vida, ainda estufa o peito ao dizer: "... Eu estava lá para morrer por São Paulo. Nada mais importava ..."
Nascido, criado na cidade paulista de Altinópolis, se alistou como voluntário aos 19 anos, para lutar por São Paulo. Seguiu para a capital com demais amigos. Lá, uniu-se ao famoso Batalhão "9 de Julho". Seguiu depois para Campinas, onde seu destacamento aguardou ordens de seguir para a frente de batalha. Pela Mogiana, chegou enfim a cidade de Mogi Mirim, de onde partiu para a frente do Gravi, onde o exército Constitucionalista já se encontrava entrincheirado, resistindo aos ataques partidos do flanco esquerdo e da cidade de Itapira (já ocupada pelas tropas federalistas). Teve seu "batismo de fogo" no histórico Morro do Gravi, onde ainda um jovem inexperiente na "arte da guerra", viu companheiros de batalhão, e amigos de outros batalhões serem mortos a tiro de fuzil, a estilhaços de granada e a bombardeios aéreos. A refrega do Gravi foi o derradeiro fim dos confrontos no Setor Leste. Lá, as tropas paulistas que vinham das frente de Amparo-Pedreira, Eleutério e Prata, uniram-se a batalhões, destacamentos e pequenos grupos de resistência que foram enviados ao Gravi para apoiar as tropas que perderam a cidade de Itapira em poucos dias, devido ao avanço incansável dos batalhões provisórios que vinham da Bahia, Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas e o famoso 14º do Rio Grande do Sul, vindo da cidade de São Borja, comandado por Benjamin Vargas, irmão do então presidente Getúlio Vargas.


Seu testemunho, vai muito além do que simples memórias do passado. Seu testemunho é a História viva, de momentos brilhantes de patriotismo, de total luta pela democracia, contra um opressor, em defesa da Soberania Nacional, da liberdade do povo brasileiro.

* Em breve, publicaremos aqui, um video deste gratificante e inesquecível encontro! Fique ligado!

3 comentários:

  1. Ola Eric,Parabens,esta e uma das reportagem mais
    emocionante, e historia VIVA..
    Abraço.VIVA SÃO PAULO
    gonçalo

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  2. Muito obrigado Gonçalo! Estamos abertos hoje até as 13h!

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  3. Faleceu hoje 30 de setembro de 2015, o Sr José Mango...

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