sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A INCRÍVEL HISTÓRIA DO CASARÃO FRASSETO

Casarão da família Frasseto - provavelmente na década de 1920.

 Mesmo ângulo, dias atuais. Photo by Ricardo J. M. Ribeiro

O casarão da família Frasseto em Eleutério, cujo projeto foi concebido por Giuseppe Frasseto, finalizado no ano de 1914, foi usado pelo exército Constitucionalista com posto de controle, invadido durante o mês de setembro de 1932 por tropas federais, transformou-se em alojamento para os soldados, foi bombardeado, saqueado e praticamente destruído. Oitenta anos depois destes terríveis episódios, sobrevive  às marcas do tempo.

Cofre da família saqueado e explodido por uma granada.

Além de ser um prédio com mais de dez cômodos, o maior de Eleutério até então, tinha na sua parte inferior um armazém, administrado pela própria família Frasseto e, coisa de relevante importância para a época: tinha uma linha telefônica. Nos primeiros dias de confronto no setor de Pouso Alegre/Ouro Fino e depois Eleutério/Sapucaí, o casarão, cedido pela família, que fugiu para fazendas mais distantes do front, foi muito útil para as tropas e batalhões de voluntários paulistas que chegavam pela Mogiana da capital e cidades do interior. Como um "Posto de Controle", o casarão abrigada oficiais responsáveis por toda a logística da guerra e também, servia de alojamento.

Balcão do armazém , parte da frente, totalmente destruída, documentos e cadeiras jogados pelo chão, muita sujeira.
Prateleiras do armazém vazias e espaço destruído, com caixas jogadas pelo chão.
Interior da área residencial, mais uma vez, móveis destruídos, papéis pelo chão.

Com a queda de Eleutério entre os dias 24 e 26 de agosto, o prédio acabou sendo abandonado pelas forças paulistas, e rapidamente tomado por tropas federais. Neste período sombrio usaram todo o estoque do armazém para se alimentarem. Durante um bombardeio aéreo, uma bomba acabou atingindo a cozinha, destruindo completamente este cômodo. 

 Fotografia da copa/cozinha da residência, saqueada pelas tropas federais.


Após o final da Revolução a família voltou para o prédio, encontrando tudo destruído. Entraram então, com um processo contra o governo, devido a todas as perdas sofridas durante o conflito. Em nossas pesquisas, encontramos apenas parte do processo, segundo a família, o sr.Guglielmo Frasseto só foi indenizado após anos de luta judicial com o governo, porém a quantia foi apenas simbólica, não devolvendo absolutamente todas as perdas ocorridas naquela invasão.

Mais destruição no armazém, caixas de mercadorias destruídas pelo chão.
Quarto com a cômoda destruída, enxoval e pertences jogados pelo chão.
Cofre da família completamente arrombado.

Ação Judicial referente ao saque das Forças Federais.

AGRADECIMENTO ESPECIAL: A Paulo Mitestainer por nos ceder este lote maravilhoso de fotografias originais e inéditas do ocorrido com o casarão Frasseto durante a Revolução Constitucionalista de 1932!

6 comentários:

  1. Caro Eric, bravos pela postagem! Esse casarão, bem como outros no centro de Itapira merecem uma atenção mais adequada das autoridades, inclusive a possibilidade de tombamento para evitar que no futuro os mesmos sejam derrubados e sua história esquecida. Grande abraço! Viva São Paulo!

    ResponderExcluir
  2. Eric, obrigado por postar, este casarão pertenceu a nossa família ,assim como o casarão de Barao Ataliba Nogueira, não o conheço pessoalmente , mas quero ir em Eleutéri e pedir para as famílias que la moram para visitar.

    ResponderExcluir
  3. Respostas
    1. Eu ouvi um comentario que foi encontrado na segunda lage do casarão fuzil


      Excluir
    2. Que interessante! Faz muito tempo?

      Excluir