domingo, 26 de fevereiro de 2012

EXPEDIÇÃO - 25/02/2012


Sábado, 25 de Fevereiro de 2012.

   Às 6h30 da manhã partiu a Expedição composta por: Eric Lucian Apolinário, João Paulo Marquezini Machado, Carlos Henrique Marquezini Machado e Wener Mello. Com o objetivo de encontrar as  trincheiras perdidas itapirenses usadas durante a Revolução Constitucionalista de 1932.


   Por motivos de preservação das mesmas e manutenção da privacidade de terras particulares onde tais trincheiras se encontram o Núcleo MMDC de Itapira manterá em total sigilo suas exatas localizações. Porém mostraremos o máximo possível para que todos tenham ciência que a Historia ainda vive e em muitos lugares continua muito bem preservada.
   A expedição partiu com informações de que havia trincheiras em duas áreas e que elas poderiam estar ainda intactas. Infelizmente em um destes locais não encontramos vestígios da existência de trincheiras, mas continuaremos a procurá-las na região indicada. Na outra localidade foi encontrada uma trincheira, que chamaremos de trincheira 001.
   A trincheira 001 se localiza muito próxima a uma estrada, tem cerca de 7 metros de comprimento, 1,5 metros de largura e 1,8 metros de profundidade. Escondida pela mata nativa que cresceu ao longo destes 80 anos, se mantém muito preservada. Algo que nos ajuda e ao mesmo tempo atrapalha é o fato de uma árvore ter caído sobre a trincheira 001. Nos ajuda por conta do tronco de tal árvore caída fecha boa parte da trincheira o que mantém sua preservação, atrapalha, pois dificulta uma exploração mais profunda e pesquisa da engenharia usada durante a Revolução em tal trincheira. Suspeitamos, pela sua localização, que se tratava de uma “guarita” para que os soldados paulistas efetuassem a guarda a estrada e que provavelmente deve haver outras trincheiras, maiores e mais complexas nas proximidades, que davam suporte para esta.


   A mata fechada, onde a trincheira 001 se encontra dificulta muito uma boa fotografia da trincheira. Por isso, preparamos uma fotografia com linhas para auxiliar na compreensão, o que é a trincheira esta (em linha amarela) e o tronco de árvore que a guarda (em linha vermelha).


    No caminho paramos em alguns lugares e entramos na mata a procura de trincheiras desconhecidas.


   A expedição fez uma breve parada em um túmulo na Fazenda Malheiros. Segundo informações, ali foram enterrados quatro combatentes mortos em um conflito nas proximidades daquela fazenda durante a Revolução, mas que logo após seus corpos foram exumados e levados por familiares. Dizem ainda que até há tempos atrás ainda se lia os nomes dos combatentes que foram sepultados ali, hoje nenhuma referência é encontrada no túmulo.


   A caminho de Eleutério, numa parada para coletar mais informações dos locais, encontramos com um proprietário. Nos contou  que a casa principal fora construída com barro retirado de lagos existentes até hoje.
   De lá, subimos a uma trincheira na propriedade de sua família. Após uma longa caminhada pela propriedade chegamos ao pé de um enorme morro, segundo a família, trincheira se encontra no topo daquele morro. A caminhada foi longa, a subida até o local é sofrida,  muitas pedras pelo caminho, o ângulo de subida é muito íngreme, faz-nos pensar em toda a dificuldade dos combatentes que ali se entrincheiraram, para conseguir água do rio logo abaixo, conseguir comida, montar acampamento, etc. Mas ao chegar ao topo tudo valeu a pena. Em 1932, em seus arredores existia uma plantação de café, hoje, a Trincheira 002 está rodeada por um pasto. O que nos da facilidade de a encontrar e ter uma noção maior de como ela poderia ter sido durante a Revolução, porém esta sujeita diretamente à ação do tempo e ao pisoteio do gado. A vista é fantástica.



   Conversamos bastante com os proprietários, aproveitamos para falar as crianças e dar uma pequena explicação sobre o Movimento Constitucionalista de 1932, mostrar a realidade dos jovens daquela época, falar sobre a ditadura que governava nosso país e o que aquele local representava para a história de São Paulo e do Brasil. Aproveitando a estadia naquele sítio arqueológico, o pesquisador Eric, entrou em um pequeno espaço na trincheira e começou a cavar, em poucos instantes, encontrou uma cápsula de fuzil deflagrada em perfeito estado de conservação.


   Antes de irmos para nossa próxima parada do dia, a caseira da fazenda, nos contou que há uns dois anos, durante uma reforma da estrada, seus filhos acharam, algumas peças: 4 cápsulas e uma lata que não conseguimos identificar,até então, do que era.


   Seguimos então para Sapucaí, já no Estado de Minas Gerais, fizemos uma parada rápida na igreja local, cujo, segundo relatos de moradores, a torre teve de ser reconstruída após os combates na região, devido à destruição causada pelos tiros e bombas. Logo à frente, encontra-se uma ponte férrea destruída, usada pelas tropas durante a Revolução para transporte de tropas e armas.


   A última parada desta Expedição foi na trincheira 003. Com a ajuda do Sr. Joel, caseiro de uma propriedade exatamente na divisa entre Sapucaí e Eleutério, chegamos aos irmãos Wilson A. O. e Laércio A. O., que nos mostraram sua belíssima relíquia a poucos passos da casa da fazenda. Essa foi a maior trincheira que encontramos até agora, foi muito bem construída, e conservada a tal ponto que há a possibilidade de caminharmos dentro dela, e observar suas sub-divisões, pontos principais e em circunstancias gerais esta muito bem conservada. Esta experiência terminou com uma animada discussão sobre o ponto da Trincheira 003. Mello relatou que, nas trincheiras havia bolsões que serviam para armazenar suprimentos, entre armas, munições e mantimentos, etc. Porém naquele local em especifico, Eric pensa que tal bolsão pode ser na realidade uma cratera decorrente de uma explosão de bomba, de um  dos muitos ataques aéreos que aquela região de Eleutério sofreu.


   Terminamos esta expedição na bela vila de Eleutério, onde é presente por todo o tempo a sensação de que o tempo não passou, tomando um bom guaraná estupidamente gelado na venda do Sr. Genésio João Bortoloto, em meio a conservas de pimentas e gaiolas artesanais, Sr. Genésio nos contou historias que circulam por Eleutério sobre 1932, combatentes e civis que se escondiam em porões e sótãos da invasão federalista, de casas e comércios que foram saqueados na ocasião. E terminados ouvindo sua história sobre sua empreitada pelo Exercito Brasileiro em 1964, ocasião que era cabo, e que levou, com a patente de sargento, um agrupamento para Brasília exigir a deposição do então presidente Jango.




Resultado expedição:
Percorremos 69 km, de carro. E mais alguns quilômetros a pé.
Trabalhamos por 7 horas.
Conhecemos pessoas que nos ajudaram muito. Este Núcleo conta com o apoio de vocês para nos ajudar a manter viva a História de nossa cidade e preservar essas e outras trincheiras ainda existentes. Locais sagrados para o Estado de São Paulo.
Foram catalogadas duas trincheiras que não tínhamos conhecimento. E visitadas três no total, sendo que a trincheira 003 se trata de uma verdadeira fortaleza no alto de um morro.
E um ótimo dia entre amigos, com muita diversão e entusiasmo, fazendo o que gostamos: pesquisar e explorar, no sentido mais amplo de seus significados.

Por São Paulo! Pelo Brasil!

Escrito por
João Paulo Marquezini Machado
Secretario - Núcleo MMDC Itapira

Revisado Editado por
Eric Lucian Apolinário
Pesquisador - Presidente
(19) 8102-7351
Núcleo Cel. Francisco Vieira
Sociedade Veteranos de 1932
http://www.itapira.sociedademmdc.com.br/


Um comentário:

  1. Mogi-Guaçu, 13/04/2012

    Prezado Eric,

    Meu nome é José Luís e sou filho do Gonçalo que conhece muito bem esses locais onde vocês tiraram as fotos. Ele desbravou muitas trincheiras existentes nessa região, inclusive foi ele quem levou você em Eleutério para mostrar uma de muitas trincheiras que ele conhece nas proximidades.
    Parabéns pelo trabalho que vocês vem fazendo sobre esse tema tão importante que infelizmente é desconhecido pela grande maioria dos Brasileiros, temos que explorar, divulgar e conscientizar essa história dos heróis Paulistas para o povo, e nos orgulharmos cada vez mais de sermos PAULISTA.

    Abraço.

    ResponderExcluir