terça-feira, 2 de maio de 2017

ESCOLA "JÚLIO MESQUITA" - DE CEMITÉRIO, A GRUPO ESCOLAR E ALOJAMENTO MILITAR

17 de Fevereiro de 1897 - Colocação da Pedra Fundamental do Grupo Escolar
      Em 1896, a "Fábrica da Matriz" (Paróquia N. S. da Penha) doa para a prefeitura de Itapira um terreno desmembrado do antigo Cemitério Municipal para a construção de um Grupo Escolar. A área de 2 mil e 300 metros quadrados teria sua frente voltada para a antiga "Rua do Ipiranga", atual rua Campos Salles.  No dia 17 de Fevereiro de 1897, era colocada a pedra fundamental do Grupo Escolar, com suas obras se iniciando imediatamente. Fato importante, é que o arquiteto responsável pelo projeto é o francês Victor Dubugras, dono de importantes obras em São Paulo, incluindo o belíssimo "Colégio Des Oiseaux", criminosamente demolido em 1974. 
     Inaugurado em 1900, esta joia preciosa da arquitetura da Primeira República, o Grupo Escolar, atual Escola Estadual "Júlio Mesquita", permanece imponente, sobrevivendo firme à passagem dos anos.
Grupo Escolar "Júlio Mesquita", Itapira-SP. Início do Século XX
    Durante os combates da chamada "Revolução Constitucionalista" em 1932, o Grupo Escolar abrigou centenas de voluntários e soldados do exército e força pública paulista que, chegando à estação da Mogiana, subiam até o alto do Parque Municipal, para visualizar as montanhas de MG, onde os combates aconteciam e se abrigar no Grupo Escolar "Júlio Mesquita", onde recebiam alimento, abrigo, leito, e algumas vezes roupas, armamentos e munições.
3ªCIA.3ºBAT.FERNÃO DIAS - Photo Anrtunes
Pe. Lázaro Sampaio e João Dias
"É uma das integrantes de conjunto de 126 escolas públicas construídas pelo Governo do Estado de São Paulo entre 1890 e 1930 que compartilham significados cultural, histórico e arquitetônico. Essas edificações expressam o caráter inovador e modelar das políticas públicas educacionais que, durante a Primeira República, reconheceram como inerente ao papel do Estado a promoção do ensino básico, dito primário, e a formação de professores bem preparados para tal função. Quanto às políticas de construção de obras públicas, são representativas pela estruturação racional de se instalar edificações adequadas ao programa pedagógico por todo o interior e capital do Estado.
Destaca-se a qualidade do conjunto caracterizado pela técnica construtiva simples, consolidando o uso de alvenaria de tijolos e por uma linguagem estilística que simplificou os atributos da tradição clássica acadêmica. A organização espacial era concebida incorporando preceitos e recomendações de higiene, insolação e ventilação previstos na cultura arquitetônica que vinha se firmando desde o século XIX. O programa pedagógico distribuía essencialmente salas de aulas ao longo de eixos de circulação em plantas simétricas. Aos poucos se firmaram em projetos arquitetônicos padronizados que se repetiam com pouca ou nenhuma variação em mais de um município.

Colégio Des Oiseaux - São Paulo
Victor Dubugras - (Sarthe, França 1868 - Teresópolis RJ 1933). Arquiteto. Nascido na França, Dubugras é criado em Buenos Aires. Não se sabe muito sobre o período que passa na Argetina nem sobre sua formação, sabe-se apenas que trabalha no escritório do arquiteto italiano Francesco Tamburini1 - um dos autores do projeto do Teatro Colón -, e que concebe o projeto de um edifício, em 1886, e de uma igreja neogótica, em 1889, em La Plata. Em 1891, com a morte de Tamburini, Dubugras muda-se para São Paulo, e trabalha até 1894 na carteira imobiliária do Banco União, dirigida por Ramos de Azevedo (1851-1928), e, em 1894, 1895 e 1897, no Departamento de Obras Públicas de São Paulo - DOP. Sua atividade como arquiteto autônomo na cidade data de 1896, mas é apenas entre 1897 e 1898 que abre o próprio escritório. Em 1894 é convidado a ministrar a disciplina de desenho sobre trabalhos gráficos na Escola Politécnica de São Paulo - Poli. Ali o título de "professor de aula" - cargo atribuído aos arquitetos sem diploma de nível superior - comprova a tese de que Dubugras não cursa nem conclui nenhum curso de arquitetura ou engenharia na Argentina.2 A ausência do diploma, entretanto, não o impede de dar aulas na Poli, onde permanece até 1928, quando se aposenta, nem de participar da fundação da Sociedade dos Arquitetos e do Instituto de Engenharia, em 1916.

     Na década de 1910, Dubugras colabora com o engenheiro Saturnino de Brito (1864-1929) nos projetos do Sanatório Popular e das Habitações Proletárias Salubres e Econômicas, ambos não construídos, em Santos, cidade para a qual o engenheiro desenvolve obras de saneamento. Ainda nessa década, Dubugras acompanha o então prefeito da cidade de São Paulo, Washington Luís (1870-1970), posteriormente governador do Estado (1920-1926) e presidente da república (1926-1930) em viagens pelos arredores de São Paulo para o levantamento da arquitetura do período colonial, engajando-se na campanha neocolonial. A convite de Washington Luís, de quem se torna amigo, concebe dois conjuntos arquitetônicos de grande repercussão na época: a Ladeira da Memória, 1919, e os Pousos e Monumentos da Serra de Paranapiacaba, 1921/1922, dedicados às comemorações do Centenário da Independência do Brasil.

DETALHE: Grupo Escolar "Júlio Mesquita e Colégio Des Oiseaux
     Além dessas obras públicas de grande porte, Dubugras desenvolve centenas de projetos particulares, de residências a edifícios comerciais, no centro da cidade de São Paulo e nos novos bairros paulistanos de elite, como Vila Buarque, Higienópolis e Cerqueira César, não se restringindo ao neocolonial, mas experimentando linguagens muito diversas. Em 1927/1928, Dubugras se transfere para o Rio de Janeiro, e dá continuidade a sua obra, concentrando-se na clientela particular. Recebe medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1916 e a medalha de prata no Congresso Pan-Americano de Arquitetos em Buenos Aires, em 1927.

 
Projeto de Dubugras em Araras-SP

Comentário Crítico - Victor Dubugras é considerado um dos precursores da arquitetura moderna na América Latina, sendo comparado a arquitetos proeminentes no cenário europeu e americano contemporâneo, como Antoni Gaudí (1852-1926), Victor Horta (1861-1947), Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), Auguste Perret (1874-1954) e Frank Lloyd Wright (1869-1959).3 Dos anos 1890, quando chega a São Paulo, até a década de 1930, quando encerra sua produção, Dubugras acompanha o desenrolar da história da arquitetura latino-americana, transitando entre o ecletismo, art nouveau, neocolonial e modernismo. Esse trânsito, realizado de modo inconsistente pela maioria dos arquitetos e engenheiros da época, em Dubugras é orientado pela preocupação constante com a racionalidade dos processos construtivos e o esforço permanente de experimentação de soluções plásticas e técnicas inovadoras. Essas preocupações justificam o seu pioneirismo e são compartilhadas por outros agentes da modernidade em curso em São Paulo, como os engenheiros Antonio Francisco de Paula Souza (1843-1917), Hippolyto Gustavo Pujol Júnior (1880-1952) e Alexandre de Albuquerque (1880-1940) da Escola Politécnica de São Paulo - Poli.
FONTE: Enciclopédia Itaú Cultural

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A ARTE TUMULAR DE ALFREDO OLIANI

      Em 1957, o então prefeito Caetano Munhoz, ex-combatente de 32, organizou uma grande festa para a comemoração do 55º aniversário do Movimento Constitucionalista. Entre inúmeras inaugurações, que apresentaremos nas próximas postagens, trago hoje a reforma feita em sua administração, do Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, construído em 1933 pela Federação dos Voluntários de Itapira.  

9 de julho de 1957. Inauguração do busto, obra de Alfredo Oliani em Itapira

O prefeito Caetano Munhoz ao lado da obra em 1957
      Para este projeto, foi requisitado o trabalho do escultor paulista Alfredo Oliani, que decidiu retratar o busto de um soldado constitucionalista. A obra foi inaugurada em uma terça-feira, 9 de julho de 1957. Na ocasião, foram recolocadas no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, as urnas contendo os restos mortais de nove soldados paulistas, exumados das regiões do Gravi e Fazenda Amarela e originalmente enterradas em 1933.

Inauguração do busto ao Soldado Constitucionalista, de Alfredo Oliani. 1957
Inauguração do busto ao Soldado Constitucionalista, de Alfredo Oliani. 1957
Original em bronze, no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, no Cemitério Municipal da Saudade em Itapira. Inaugurado em 1957.

Cópia em gesso, pertence ao acervo do Museu Histórico e Pedagógico 'Com. Virgolino de Oliveira'. Obra autografada pelo escultor.


ALFREDO OLIANI, Biografia: 
      Alfredo Oliani, filho de italianos, nascido em São Paulo, em 1906, e aqui falecido em 1988, tinha como características de suas obras, várias das quais localizadas ali no Cemitério São Paulo, a sensualidade e a beleza femininas e o nu, como o conjunto do sepulcro dos Cantarella. Estudara aqui mesmo, na Academia de Belas-Artes de São Paulo, com Nicola Rollo, que também deixou nos cemitérios paulistanos obras emblemáticas, como Orfeu e Eurídice, no Cemitério da Consolação, a celebração da imortalidade do amor do casal mítico. Foi aluno, ainda, de Amadeu Zani, autor do Monumento á Fundação de São Paulo, no Pátio do Colégio, e do conjunto escultórico em memória de Giuseppe Verdi, no Vale do Anhangabaú. Na Itália, na Academia de Belas-Artes de Florença, estudou com Giuseppe Grazziosi, fotógrafo, pintor e escultor, que recebera influências de Rodin.
O escultor Alfredo Oliani
      Freqüentou a Escola de Belas-Artes de São Paulo e a Academia de Belas-Artes de Florença. Em São Paulo, estudou com Nicola Rollo e Amadeo Zani, e na Itália com Giuseppe Grazziosi, autor de um excelente trabalho que se encontra no Cemitério da Consolação.
      Participou das coletivas do Salão Paulista de Belas-Artes, obtendo medalha de ouro e grande medalha de ouro. Um dos mestres do nu executou magníficos trabalhos no Cemitério São Paulo: lindas mulheres, em bronze, em sensual postura e soberbos grupos escultóricos onde o nu é exuberantemente apresentado. Assinava A. OLIANI.

AO HEROI DESCONHECIDO

 Hás de voltar, meu filho! E não voltaste.
Pelo bem do país que tanto amaste
o teu corpo caiu, morreu teu passo.
De tua mocidade generosa
ficou somente a farda gloriosa
tinta de sangue. E o capacete e aço.

Tua mãe chora sempre a tua falta.
Árvore frágil para ser tão alta,
a inclemência de um raio te cortou
as promessas risonhas de fartura,
o desejo de glória ou de ventura,
o civismo sem par que te abrasou.

Repousa em paz; no coração materno
da terra de São Paulo, grande e eterno
no seu amor à gente idealista.
O nome teu? que importa! Um nome, passa;
Tú és, soldado, o apóstolo da raça,
o herói, o santo, o símbolo paulista.

(Oliveira Ribeiro Neto)
 
 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

SALVE 9 DE JULHO!

E por mais um ano, Itapira comemorou o 9 de Julho em sua tradicional homenagem aos combatentes mortos em Itapira, no Morro do Gravi. Com a presença de autoridades civis e militares, a cerimônia contou com apresentação da centenária Banda Lira Itapirense, executando marchas, o Hino Nacional e Paris Belfort. Quem também abrilhantou o evento com sua presença, foi o Grupo Escoteiro de Itapira.
Após a solenidade, uma caravana seguiu para a cidade mineira de Jacutinga, onde participou do lançamento da "Rota da Revolução de 1932", um roteiro turístico, idealizado pela administração de Jacutinga, juntamente com nosso amigo, o pesquisador Rodrigo Ruiz, a quem ofereço minhas saudações e meus sinceros parabéns por tão excelente trabalho!
O Núcleo MMDC de Itapira 'Cel. Francisco Vieira' sente-se honrado por ter sido convidado a participar deste lindo projeto, afinal, Itapira também faz parte da Rota turística.
Abaixo, algumas fotografias deste inesquecível 9 de Julho:
















terça-feira, 28 de junho de 2016

O MISTÉRIO DA CAPELA

Para todos que visitam o bairro rural de Barão Ataliba Nogueira, distrito de Itapira, logo atrás da antiga estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, pode-se encontrar, atualmente em meio a casas novas, uma antiga Capelinha... Para quem se aproxima ainda mais, por curiosidade... Se depara com lindas inscrições, preservadas por 84 anos. Assinaturas de soldados paulistas que, passando por ali, escreveram seus nomes e recados nas paredes de gesso da pequena capela. Mas o que poucas pessoas sabem, é o real e tenebroso motivo da construção daquele singelo prédio religioso, segundo depoimento do senhor Osmar Pereira da Silva, ao pesquisador Sérgio Freitas.


   Segundo informações encontradas em pesquisas de memorialistas e pesquisadores Itapirenses, montamos aqui um pequeno artigo sobre a origem da Capelinha do Barão, marco tão importante para a história dos combates em nosso setor durante a Revolução de 1932. Segundo nos conta Sérgio Freitas, a história contada pelo seu Osmar revela aspectos importantíssimos, no sentido de a compararmos com outra história publicada pela pesquisadora Odete Coppos em seu "O Livro da Festa do 13", e "Das Congadas de Itapira". Osmar contou em seu depoimento, ao ser indagado sobre a origem daquela capela: que a mesma fora erigida pelos moradores do local como preito a um crime ocorrido naquelas redondezas por volta de 1924 em plena Revolução. Naquele local foi enterrado um negro de nome desconhecido, que foi morto pela polícia após a ocorrência do crime ora citado.
Para entender um pouco o contexto deste crime, apresentamos as informações abaixo:
Habitavam na antiga Barão Ataliba Nogueira de então as famílias tradicionais tais como as famílias dos Pereira da Silva, dos Bredas, dos Lovo, dos Rosário etc. Como tipicamente acontece num lugarejo pequeno, todos se conheciam e apesar das boas amizades sempre existe algum melindre que acaba em desentendimentos, inimizades e até em vingança. Foi o que ocorreu com o sr. Natale Breda, bisavô materno do Osmar. Habitava por aquelas bandas um sr. de nome David Bocon que após ter sofrido um acidente e batido com a cabeça (em decorrência do contumaz vício alcoólico), ficou meio destrambelhado, segundo Osmar, e vivia frequentemente criando conflitos, brigas e arruaças nos bares da localidade. Numa dessas vezes, acabou sendo trancafiado atrás das grades da Cadeia Municipal em Itapira, por solicitação dos próprios moradores dali. Corria o ano de 1924 e com a chegada da revolução, os novos momentos políticos-revolucionários vieram favorecer os presos. Uma ordem do tenente Cabanas, motivado pela necessidade de arregimentar soldados para as suas forças de combate, libertou todos os que se encontrassem presos. David Bocon foi beneficiado também através desse informal decreto.
Cabanas tomou a cidade de Itapira e, descendo a Rua do Amparo (atual Rua da Penha), cerca de 200 homens desfilaram armados, tendo havido ali algumas escaramuças e muitos tiros. Foi nessa época, segundo Freitas, que o cel. Francisco Cintra, atuou energicamente e unido com o povo promoveu decisões de força e enfrentamento desse episódio bélico. Triunfaram os legalistas contra o movimento "tenentista" e revolucionário. Já no paço municipal o cel. seria destacado por essa enérgica atuação através da fala inflamada do general Alcides Amaral. Após o cerco e a tomada do prédio da Cadeia Municipal, Cabanas solta todos os presos, onde se incluía o David Bocon e também um outro preso de cor negra cujo nome permaneceu incógnito ou desconhecido desde então e que também pelas inúmeras ocorrências policiais vivia as voltas com a lei. 

Soldados de Cabanas em propriedade de Augusto Fracarolli, no bairro dos Forões, em Itapira. 1924.
Acervo Paulino Santiago.
 Segundo o sr. Osmar, quando soltos, David Bocon e o negro fugitivo, ambos após terem sido libertos, vendo-se livres, rumaram para Barão Ataliba Nogueira e ali adentrando, pelo meio do mato, puseram em prática o plano de David Bocon: vingança, ou seja, assassinar a Natale Breda, quem David julgava ter sido o mandante de sua prisão. Foi assim que na porta de um barzinho do referido bairro de Barão, culminou por desferir várias facadas em seu desafeto pondo-lhe fim a vida. Após o que, em fuga célere junto com seu comparsa negro, adentraram de retorno à mata circundante. A perseguição policial; o cerco e o espocar de alguns tiros puseram fim a vida do comparsa negro sem contudo até hoje terem encontrado o David Bocon. Esse negro que apenas acompanhava David acabou levando a pior. Esse "livrou-se", pelo menos é o que se sabe, do cerco e da turba armada que lhe perseguiu e nunca mais foi encontrado, segundo Freitas.
Sérgio Freitas ainda compara com outra versão e que foi publicada por Odete Coppos no seu livro já citado acima. Textualmente e conforme o título abaixo assim se refere Odete quando cita um personagem negro à página 60 da referida obra. Utiliza também nessa citação o texto da lavra do nosso famoso e querido articulista João do Norte. E prosseguem ambos:
"OUTRO FILHO DO CHICO PITADA" - "O João do Norte diz que o Anterão, foi filho do Chico Pitada; que era um negro elegante, de boa altura, e vestia-se 'caprichadamente'; mas que tinha seus deslizes... certas atrapalhadas... indolente e outras 'cositas' mais. Um dia o Anterão desapareceu, lá por volta de 1924, no quadriênio do Governo Artur Bernardes. Muita gente se lembra da revolução de 1924, do consumismo de pessoas, e foi num destes que o nosso conterrâneo Anterão desapareceu..."
Agora vejamos: Em 1924, um negro é morto nas matas de Barão Ataliba Nogueira e praticamente inocente do crime cometido, é enterrado a margem da estrada velha logo a entrada da Vila. Logo depois o povo constrói uma capela e passam a cultuar a lembrança do negro ali enterrado.
Por outro lado a Odete Coppos, citando o João do Norte, textualmente relata uma história e que comparativamente tem muito a ver com a relatada pelo Osmar.

Foto de Julho\Agosto de 1932.
 Podemos concluir sem muito medo de errar que é bem provável que o negro morto pelos policiais naquele ano revolucionário de 1924 tenha sido o Anterão, filho do Chico Pitada, já tão sobejamente conhecido de nós, figura esta que angariava fundos para a construção da antiga capelinha de São Benedito, tendo como característica marcante o seu famoso Oratório de Capelinha.


FONTES: Cidade de Itapira, Tribuna de Itapira, Odete Coppos, Sérgio Freitas, Jácomo Mandatto, João do Norte, Álbum de Itapira.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

FRENTE ÚNICA EM ITAPIRA

Nesta primeira postagem de 2016, trago à Luz do Conhecimento, alguns documentos importantes para a pesquisa sobre 1932 na cidade de Itapira. Em Fevereiro de 1932, portanto 5 meses antes do movimento armado, a população Itapirense já participava de comícios e palestras Pró-Constituinte. Nosso patrono, Francisco Vieira, como membro ativo do PRP também estava envolvido na organização deste evento. Como exemplo, apresento um panfleto distribuído em Itapira e impresso na Casa Brasil, em Itapira; um telegrama enviado a São Paulo sobre o comício e a primeira página do extinto  referente a um uma página do extinto "Folha da Semana", de propriedade de Pedro Ferreira Cintra, com uma matéria após o comício.
 
 
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO:
POVO DE ITAPIRA
Os diretórios dos Patido Republicano Paulista e Partido Democrético locais, comemorando o dia 24 de Fevereiro e, em regosijo pela formação da Frente Única Paulista, que pleitea, tão somente, o reestabelecimento da autonomia do nosso Estado e a breve reconstitucionaliszação do país, resolveu realizar no dia 24 do corrente, às 18 horas (6 da tarde), na praça Bernardino de Campos desta cidade, um comício pró-Constituinte, para o que convidam todo o povo de Itapira.
Itapira, 21 de Fevereiro de 1932
Francisco Cintra; Francisco Vieira; Dr. Hortêncio Pereira; João Ribeiro Pereira da Cruz; Dr. José Secchi; Olegário Pereira da Silva; Orlando Gomes da Cunha; João Rodrigues Siqueira
Deixa de assinar o sr. Américo A. Pereira, por se achar ausente.
acervo APESP
TRANSCRIÇÃO: Telegrama enviado à "Liga Paulista Pró-Constituinte" - "Os diretórios dos Partidos Reublicano Paulista e Democráticos desta cidade solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo frente única defeza autonomia estado e volta regimem legal revolveram promover grande comicio dia 24 correspondendo assim brilhante iniciativa dessa liga. Francisco Cintra Presidente Diretório Republicano, João Ribeiro Pereira da Cruz Presidente Diretório Democrático. ITAPIRA 21.02.1932".
 
acervo NMMDCI
TRANSCRIÇÃO:
 
Adesão à Liga Paulista Pró-Constituinte - Adesão do Centro de Comércio e Indústria Local - O comício do dia 24
 
Após terem comunicação oficial da celebração da Frente Única na capital do Estado, os chefes políticos locais srs. cel. Francisco Cintra, dr. Hortêncio Pereira e cel. Francisco Vieira, do P.R.P. e cap. João Ribeiro P. da Cruz, do P.D., se reuniram, para, também, aqui, tornar sensível esse acontecimento tão auspicioso para São Paulo, comunicando a sua aliança a Comissão Diretora do P.R.P. e Diretório Central do P.D.
Tendo sido resolvida a adesão à Liga Paulista Pró-Cosntituinte, foi aquela patriótica agremiação da mocidade acadêmica de S. Paulo dirigido o seguinte telegrama: "Liga Paulista Pró-Constituinte - Christovam Colombo, 1 -  São Paulo. -- Os diretórios dos Partidos Republicano Paulista e Democrático desta cidade, solidários com patriótica atitude seus chefes constituindo Frente Única defesa autonomia. Estado e volta regime legal, resolveram promover grende comício dia 24, correspondendo assim brilhante iniciativa dessa Liga. - (a) Francisco Cintra, presidente do Diretório Republicano. João Ribeiro P. da Cruz, presidente do Diretório Democrático.
Esse telegrama teve o melhor acolhimento da Liga que imediatamente respondeu agradecendo e prometendo fazer-se representar assim; no dia 24 do corrente, pelo trem do meio dia, chegaram a esta cidade os patrióticos acadêmicos de São Paulo, srs. Jorge Flaquer, Gabriel Gatti, Pedro Alcino Gomes e Ary Mattos, que foram recebidos na gare da Mogyana pelas figuras representativas da frente única local.
O Centro de Comércio e Indústria desta cidade, tendo aderio ao comício que ia se realizar naquele dia, distribuiu boletins convidando os seus associados e pedindo ao comércio em geral que fechasse suas portas para maior brilhantismo da manifertação que ia ser levada a efeito.
O COMÍCIO
Finalmente, á tardinha, o povo refletia na possibilidade de não ser Deus paulista e foi com satisfação geral que o tempo deu de melhorar e, si não houve uma tarde clara e bonita, houve pelo menos a constatação de que Deus estava conosco.
Após a passeata realizada pela banda Lyra Itapirense, o povo afluiu para a praça Bernardino de Campos.
Às 18 e meia horas, o sr. Jorge Flaquer falou em primeiro lugar, abrindo o comício; de suas palavras destacamos o seguinte: "Não viemos de São Paulo para vos falar da necessidade da Constituinte, pois dessa mesma necessidade, temos certeza, estaes sobejamente convencidos; viemos para vos pedir, que conosco sejais, como fostes nas demais causas, pioneiros desse santo movimento.
São Paulo neste instante atravessa o período mais crítico, a fase mais dolorosa de sua história, e, quando dissemos São Paulo dissemos Brasil, pois este tudo deve àquele. No entretanto, em recompensa, S. Paulo se vê espesinhado, usurpado nos seus direitos, tratado como presa de guerra, ele que desejava um Brasil onde todos pudessem viver melhor, que pretende um filho da terra por um estranho, que outra coisa não lhe prometera a não ser manter sob um regime de lei, nem sequer teve o direito de se governar como tiveram os demais Estados. É preciso para o bem do Brasil que São Paulo torne à liderança da Federação, quanto antes, e, isso só é possível pela Constituinte.
Encerrando o seu discurso, diz o seguinte: " Lembra-me um fato histórico francês, que peço permissão para vos relatar: na conflagração europeia, um marechal francês, vendo sua querida França na iminência de ser invadida pelo inimigo e, estando seus companheiros de trincheira quase todos sucumbidos, num ímpeto de patriotismo gritou: 'Debout les morts'  (De pé os mortos). Assim também nós paulistas precisamos, também  devemos gritar: 'De pé as tradições do heroico povo bandeirante".
Suas palavras foram encobertas pelos aplausos da grande assistência.
A seguir, o dr. Paulo Teixeira de Camargo, advogado na comarca de Mogi Mirim, leu um magnífico discurso em que analteceu com entusiasmo a obra construtiva do Partido Republicano Paulista, anatematizou com veemência os desmandos da ditadura e concitou entusiasticamente o povo a combater sempre pela constitucionalização do país.
Seu discurso foi vivamente aplaudido. Vamos fazer o possível para publicá-lo e o nosso próximo número.
Falou em 3º lugar o sr. Gabriel de Almeida Gatti; de sua eloquente oração destacamos os seguintes tópicos: "Como vós bem o sabeis, há três lustros passados, a Alemanha, o tufão loiro-a Alemanha, o flagelo da Europa-marchava sobre o mundo, fazendo escombros, amontoando ruínas! Mas, tocou na Bélgica, um povo pequeno que lhe saiu pela frente e ordenou com firmeza: 'Alto lá! Para trás! Aqui não se passa!'
E assim também nós, os moços da Faculdade de Direito de São Paulo, que é a huarida segura do mais acendrado patriotismo,, que é a expressão potencial do alevantamento cívico brasileiro, nós aqui estamos, a postos, na estacada, quais pigmeus do dever, para dar caça ao monstro da opressão!
Uma nação fora do império da lei, sem as garantias da sublimidade do direito e da justiça, é um povo vencido, indigno de si mesmo! Exijamos a Constituição! Exijamos a nossa paz! Exijamos o nosso direito! Defendamos a nossa dignidade, porque - oh povo de Itapira! - viver sob o palio sacrossanto da lei é ser livre, e, mover-se ao talante de um ou mais homens, é ser escravo!
Vibrantes aplausos partiram da assistência.
Em seguida o sr. Pedro Ferreira Cintra, diretor desta folha, leu seu discurso, em que, condenando veemente a maneira cheia de opróbios com que a ditadura vem tratando o Estado de S. Paulo, concita ao povo a cooperar sem descanso para a constitucionalização do país.
Falou em 5º lugar o sr. Pedro Aulicino Gomes. Do seu discurso, apanhamos o seguinte: "Imposta a ditadura, o povo brasileiro aceitou o sacrifício com a esperança de melhores dias. Mas, a revolução faliu pelo não cumprimento dos fins propostos. A autonomia do Estado esbulhada, gerou os imaginários e nefastos 'casos políticos'. E ressoando pelo norte, encontrou eco no sul a fórmula infame: S. Paulo o imperialista, não é digno de governar-se por si mesmo! Todavia, meus senhores, quer queiram, quer não, os nossos detratores gratuitos, nós fomos o valor bandeirante, nós  fomos a viga mestra da brasilidade, nós seremos o próprio Brasil.
Vivos aplausos coroaram as suas palavras.
Por último falou o acadêmico Ary O. Mattos, de cujo discurso conseguimos anotar os seguintes trechos: Há 16 meses, precisamente, que nos vimos esbugalhados da Constituição, desta carta que conferia a todos a regalias e prerrogativas de cidadãos livres, cidadãos verdadeiramente brasileiros. Com a queda da Constituição, senhores, foi em S. Paulo que bateram mais em cheio, as patas dos corcéis dos pampas, e onde soaram mais fortemente as clarinadas e os arautos do vencedor. Era preciso que de S. Paulo, donde partiram as patrióticas bandeiras de Paes Leme, onde ecoou o brado da redenção brasileira, no Ipiranga, onde se esboçaram as maiores campanhas civilistas, era preciso, disse, que de São Paulo partisse esse grande movimento em prol da reconstitucionalização do país.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

MORRE ANTÔNIO CESCON

Partiu hoje para a eternidade, de maneira trágica, aos 98 anos o nosso amigo, sr. Antônio Cescon. Testemunha ocular de dois grandes eventos históricos em nossa cidade. Suas descrições dos fatos ocorridos então em Itapira são de uma importância ímpar para nossa memória. Mas, quis o Criador chamar a Si a alma desse notável Itapirense, filho de colonos italianos, nascido na fazenda da família Job em 17 de junho de 1917. Mais tarde, já menino, vem morar com seus pais na então "Rua da Palha", hoje a Avenida Rio Branco, local onde seu pai teria um armazém no local onde atualmente está o prédio do Iki Lanches. Antônio Cescon viu a ocupação de Itapira durante a "Revolução de 1924", presenciou o terror trazido por soldados revoltosos,  vindos da capital paulista e comandados pelo lendário tenente João Cabanas, que, descendo a "Rua do Amparo" (atual Rua da Penha) tomaram o prédio da Cadeia Pública (hoje Casa da Cultura), além de prédios da prefeitura municipal.
exatos 83 anos, numa noite escura de um Agosto já agônico em 1932, vê a entrada de tropas federais fortemente equipadas numa Itapira abandonada à própria sorte pelos soldados paulistas, vencidos pela massa humana mobilizada por Getúlio Vargas em diversos estados do país para sufocar o levante de São Paulo. O então jovem Antônio, acompanhou vividamente todos aqueles momentos de caos e pavor.
O Núcleo MMDC de Itapira "Cel. Francisco Vieira" expressa aqui seus votos de pesares a toda a família do sr. Antônio e presta seus respeitos a essa incrível e querida figura humana que foi Antonio Cescon, um itapirense que soube preservar a memória de sua terra. Vai com Deus, amigo!
 
Antônio Cescon 
 
Antônio Cescon ao lado de autoridades Itapirenses durante a cerimônia do último 9 de Julho

TEXTO: Rodrigo Ruiz - Eric Apolinário

SP32: ESTE DIA NA HISTÓRIA 01.09.1932

Livro de ofícios da Prefeitura Municipal de Itapira


























Tropa da 4ª DI roçando o terreno para instalação do campo de pouso em Itapira

Identificação do campo de pouso federal em Itapira, na baixada do Cubatão

Avião federal pousando no Cubatão


Aeroplano Nº11

Major Juarez Távora e Cordeiro no aeroporto improvisado do Cubatão

Cel. G Esteves e Cap. Alkinder na Praça da Matriz em Itapira. 1.9.1932